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Exemplar original do martelo de São João
História do Porto · São João · Curiosidades
Sabe como nasceu o martelo de São João?

O objeto que hoje atravessa a noite mais longa do Porto nasceu em 1963, numa fábrica de brinquedos de plástico de Rio Tinto, e começou por animar os estudantes da Queima das Fitas.

Criado em 1963 Manuel António Boaventura Estrela do Paraíso Rio Tinto

Um dos primeiros modelos do martelo de São João, criado na Fábrica Estrela do Paraíso.

É difícil imaginar o São João do Porto sem o som agudo dos martelinhos de plástico. Apesar de parecer uma tradição muito antiga, este símbolo popular tem pouco mais de seis décadas: foi criado em 1963 pelo industrial Manuel António Boaventura, ligado à Fábrica Estrela do Paraíso, em Rio Tinto.

A invenção não nasceu inicialmente para as festas sanjoaninas. Boaventura queria acrescentar um novo brinquedo à produção da fábrica. A inspiração surgiu durante uma viagem ao estrangeiro, quando observou um conjunto de saleiro e pimenteiro com um mecanismo semelhante a um pequeno fole.

Ao adaptar a ideia, juntou-lhe um cabo e um apito. O resultado foi um brinquedo colorido, leve e ruidoso, com a forma que acabaria por se tornar imediatamente reconhecível nas ruas do Porto e de outras cidades do Norte.

Ano de criação 1963

Mais de seis décadas de história popular.

Criador Manuel António Boaventura

Industrial ligado à produção de brinquedos de plástico.

Fábrica Estrela do Paraíso

Unidade industrial associada a Rio Tinto.

Primeiro grande sucesso Queima das Fitas

Antes de chegar em força ao São João do Porto.

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Da fábrica para as ruas

De um saleiro e pimenteiro ao brinquedo mais famoso do São João

A forma do martelo nasceu da observação de um objeto doméstico. O saleiro e pimenteiro que chamou a atenção de Manuel António Boaventura tinha um corpo semelhante a um fole. O industrial percebeu que esse mecanismo poderia produzir um brinquedo sonoro e acrescentou-lhe os elementos essenciais: um cabo para o segurar e um apito para criar o ruído.

O objetivo inicial era simples: aumentar a gama de brinquedos fabricados pela Estrela do Paraíso. O destino do objeto, no entanto, mudaria rapidamente quando os estudantes procuraram uma forma particularmente ruidosa de celebrar a Queima das Fitas de 1963.

01
A inspiração

Um saleiro e pimenteiro com aspeto de fole desperta a atenção de Manuel António Boaventura durante uma viagem ao estrangeiro.

02
A transformação

O industrial adapta o mecanismo, acrescenta um cabo e um apito e cria um novo brinquedo de plástico.

03
A Queima das Fitas

Os estudantes adotam o brinquedo barulhento e dão-lhe uma visibilidade que ultrapassa rapidamente o meio académico.

04
O São João

Os comerciantes levam o martelo para a festa popular, onde o público o transforma num símbolo duradouro da noite de 23 para 24 de junho.

1963
O ano em que um brinquedo de Rio Tinto começou a mudar a imagem do São João

O sucesso entre os estudantes criou a ponte entre a Queima das Fitas e a festa popular. A partir daí, o martelo passou a circular entre vendedores e foliões, ganhando espaço ao lado do tradicional alho-porro.

Património industrial

A Fábrica Estrela do Paraíso e a memória de Rio Tinto

A Estrela do Paraíso produzia brinquedos de plástico e ficou para sempre associada à criação do martelinho. A fábrica tornou-se parte da memória industrial de Rio Tinto, embora tenha encerrado a atividade em 2012.

Ao longo dos anos surgiram diferentes tamanhos, formas e combinações de cores. Os modelos portugueses acabariam também por inspirar produções concorrentes, mas o primeiro exemplar permanece ligado ao nome de Manuel António Boaventura e à unidade fabril onde a ideia ganhou forma.

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Uma tradição contestada

O martelo chegou a ser proibido e a história acabou no Supremo Tribunal

A popularidade do martelinho não foi imediatamente aceite por todos. Cerca de cinco anos depois da sua chegada às ruas, as autoridades locais consideraram que o brinquedo contrariava a tradição do São João. Foi determinada a proibição da venda, a apreensão dos exemplares disponíveis nos estabelecimentos e uma multa de 70 escudos para quem fosse encontrado com o objeto durante as festas.

A medida encontrou resistência entre a população, que continuou a utilizar os martelos. Manuel António Boaventura decidiu defender judicialmente o direito de fabricar e comercializar o brinquedo.

Depois de duas derrotas, o criador recorreu ao Supremo Tribunal

O industrial perdeu nas duas primeiras instâncias, mas levou o processo até ao Supremo Tribunal. Em 1973, a decisão foi-lhe favorável, permitindo que a produção e a venda dos martelinhos continuassem legalmente.

O episódio mostra que uma tradição hoje entendida como inseparável do São João começou por ser vista como uma ameaça aos costumes anteriores.

1973 vitória judicial no Supremo Tribunal
Antes do martelo

O alho-porro já servia para cumprimentar quem passava

Muito antes do aparecimento do brinquedo de plástico, os foliões usavam o alho-porro para tocar na cabeça de amigos e desconhecidos durante a noite de São João. O martelo não apagou completamente esse costume, mas tornou-se uma alternativa mais colorida, sonora e fácil de comercializar.

O seu êxito deve-se também à forma como transforma o contacto entre pessoas num gesto de brincadeira. Na noite de 23 para 24 de junho, uma martelada leve funciona como cumprimento e convite à participação na festa coletiva.

Interação popular Alho-porro

Era usado para tocar na cabeça de quem passava muito antes da criação do martelo.

Perfume Cidreira e limonete

Ramos aromáticos continuam ligados às tradições da noite sanjoanina.

Casa e vizinhança Manjericos

Os vasos acompanhados por quadras populares são outro símbolo incontornável da festa.

Ritual coletivo Fogueiras

Saltar a fogueira permanece associado aos bairros e arraiais mais tradicionais.

Um símbolo que atravessou gerações

Como um brinquedo industrial se tornou património popular

O martelo de São João não foi criado por uma tradição secular, mas acabou integrado nela pela utilização espontânea do público. O percurso entre a fábrica, a Queima das Fitas, os comerciantes e os foliões ajuda a explicar como nascem muitos costumes urbanos.

Mais de seis décadas depois, o martelinho continua a ser produzido em várias cores e formatos. A sua silhueta surge em cartazes, montras, decorações de rua e recordações da cidade, tornando-se uma representação visual imediata do São João do Porto.

Curiosidade: embora esteja profundamente associado ao Porto, o martelo foi criado em Rio Tinto, no concelho de Gondomar. A tradição espalhou-se depois por outras festas populares, incluindo celebrações de São João noutras cidades.
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Perguntas frequentes

Tudo sobre a origem do martelo de São João

Quem inventou o martelo de São João?
O martelo foi criado pelo industrial Manuel António Boaventura, proprietário da Fábrica Estrela do Paraíso.
Em que ano foi criado?
O primeiro martelo de São João foi criado em 1963.
Onde nasceu o martelinho?
A criação está associada à Fábrica Estrela do Paraíso, em Rio Tinto, no concelho de Gondomar.
O que inspirou a forma do martelo?
Manuel António Boaventura inspirou-se num conjunto de saleiro e pimenteiro com aspeto de fole. Acrescentou um cabo e um apito para o transformar num brinquedo.
O martelo foi logo criado para o São João?
Não. Foi concebido como brinquedo e tornou-se primeiro popular entre os estudantes da Queima das Fitas. Só depois foi adotado nas festas de São João.
Porque chegou a ser proibido?
Algumas autoridades consideraram que o brinquedo contrariava as tradições existentes, sobretudo o uso do alho-porro. A venda e a utilização chegaram a ser proibidas.
Como terminou a disputa judicial?
Depois de perder nas duas primeiras instâncias, Manuel António Boaventura recorreu ao Supremo Tribunal e venceu o processo em 1973.
A Fábrica Estrela do Paraíso ainda existe?
A unidade industrial encerrou a atividade em 2012, mas permanece ligada à memória da criação do martelo de São João.
De brinquedo de plástico a símbolo da cidade

A história do martelo mostra como uma invenção industrial pode ser adotada pelo público e transformar-se numa tradição. Criado em Rio Tinto, testado na Queima das Fitas e consagrado nas ruas do Porto, tornou-se uma das imagens mais reconhecidas da noite de São João.

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