
O Nome – Teatro do Bolhão
Porquê O Nome?
Uma querida família…
Tudo começa com um regresso. Uma jovem volta a casa dos pais, grávida e acompanhada do namorado, ambos desorientados e sem recursos, em busca de abrigo junto daqueles de quem se haviam precisamente afastado. A jovem grávida vê-se como vítima de falta de atenção, e, evidencia um comportamento agressivo, uma amargura que a afasta cada vez mais do namorado em cada discussão sobre o nome do bebé. Cada frase trocada, mostra o quão pouco sabem um do outro. Já os pais que acolhem o casal, não escondem o desconforto e não têm o mínimo de civilidade para com os que chegam e necessitam de ajuda. O pai oferece dinheiro à filha — possivelmente para incentivá-la a sair mais cedo — a mãe desgastada e confusa retira-se frequentemente para o quarto. Qualquer tentativa de criação de um “ambiente familiar” esbarra na falta de interesse recíproco, de empatia por parte dos personagens. Nenhum deles está verdadeiramente interessado em algo que ultrapasse a sua solidão. O Nome de Jon Fosse estreou há mais de um quarto de século, e, ao contrário de muita da dramaturgia sua contemporânea escapou ao crivo do tempo para se assumir como uma peça seminal naquilo que é entendido como repertório contemporâneo. Nesta peça, ao contrário do drama familiar de consumo comum, a indiferença que permeia a Família, habitualmente vista como o cerne da nossa sociedade, é exposta sem disfarces ou preocupação com aparências. Em cada diálogo, a dinâmica da solidão, do egoísmo é exposta, contrastando com a celebração coletiva e a afetividade típicas dos lugares-comuns que a palavra Família invoca.
O Nome é uma sonata que, a alto e bom som, expõe implacável, vinte cinco anos depois, todas as fracturas que dilaceram o núcleo primeiro das nossas comunidades, neste admirável novo mundo tik-tok e pós-covid. Uma peça poética, musical, estranha e despojada. Um texto assombrado, repleto de fantasmas que tecem a possibilidade de um momento de teatro singular. Um momento de teatro servido com palavras que dinamitam a santa paz com que o entretenimento nos diz em que pensar e como pensar.
Encenação e Dramaturgia Nuno Cardoso
Tradução de Francisco Frazão e Solveig Nordlund
Cenografia F. Ribeiro
Desenho de Luz Pedro Vieira de Carvalho
Figurinos Ruben Ponto
Vídeo Luís Porto
Sonoplastia João Félix
Interpretação Diana Sá, João Cravo Cardoso, Maria Leite, Mário Santos, Sérgio Sá Cunha e Sofia Santos Silva
Coprodução Teatro do Bolhão, FITEI, Teatro Aveirense e Teatro das Figuras
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