
No Tapete com Nuno Preto
Tentei escrever este texto algumas vezes. Não pela dificuldade do que queria dizer com ele, mas sim pela vontade que ele não dissesse tudo. Escrevia e apagava. Escrevia e apagava. Repeti algumas vezes até que escrever e apagar se tornou uma espécie de ritual.
A certa altura percebi que não estava a ser um processo frustrante, este de escrever e apagar. Na verdade ganhava contornos preocupantes. Estava meio que viciado no escrever e apagar, no escrever e apagar.
Liguei à minha terapeuta. Ela, com todas as ferramentas sábias que dispõe lançou-me uma pergunta. “Nuno, do que é que temos falado nas sessões?”. Ao que eu respondi “Senhora doutora, sobre o meu prazer em errar. Em como o erro se tornou uma ferramenta incrível de percepção da realidade e um dos meus principais instrumentos criativos”.
Ela desligou, porque percebeu que eu estava a aproveitar a chamada para piscar o olho a quem lê este texto.
Bloqueei. Será que devia ligar outra vez?

