
Entre a Terra e o Mar: o Monte Castêlo de Guifões
No próximo dia 14 de maio, às 17h30, o Museu da Memória de Matosinhos inaugura a exposição temporária “Entre a Terra e o Mar: o Monte Castêlo de Guifões”, um convite para viajar no tempo e descobrir como viviam as comunidades que habitaram este território há mais de dois mil anos.
Resultado de uma década de investigação arqueológica do projeto GUIFARQ, esta exposição revela ao público os bastidores da arqueologia: das escavações no terreno às análises laboratoriais, passando pelas histórias que os vestígios nos contam. Mais do que mostrar objetos antigos, esta é uma oportunidade de perceber como a ciência reconstrói o passado e nos ajuda a compreender o presente — e até a pensar o futuro.
O Monte Castêlo, também conhecido como Castro de Guifões, é o sítio arqueológico mais relevante do atual concelho de Matosinhos. Situado junto à margem esquerda do rio Leça, a poucos quilómetros do mar, foi, durante séculos, um ponto estratégico de ligação entre o interior e as rotas comerciais marítimas. As escavações revelam uma ocupação contínua que se estende desde antes do século VI a.C. até ao século V d.C., atravessando momentos chave da história, como a Idade do Ferro e a integração no Império Romano. Este longo período permite compreender como as populações locais se adaptaram, evoluíram e interagiram com outras culturas.
O projeto GUIFARQ, iniciado em 2016 através de uma parceria entre a Câmara Municipal de Matosinhos e a Faculdade de Letras da Universidade do Porto, é também um espaço de aprendizagem prática. Todos os anos, estudantes de arqueologia participam ativamente nas escavações, vivendo uma experiência direta com o património e contribuindo para novas descobertas. Integrado no Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos e desenvolvido no âmbito do CITCEM, este projeto representa um exemplo de como a investigação científica pode estar ao serviço da comunidade, promovendo o conhecimento e a valorização do território.
Recentemente, o Município de Matosinhos adquiriu grande parte do sítio arqueológico, assumindo o compromisso de o preservar e valorizar para as gerações futuras. Esta exposição é, assim, um passo importante para aproximar o público deste património único, porque a arqueologia não é apenas sobre o passado — é uma aventura de descoberta que nos ajuda a compreender quem somos. Nesta exposição, o visitante é desafiado a olhar para vestígios antigos com novos olhos e a perceber que cada fragmento tem uma história para contar.
Venha descobrir como, entre a terra e o mar, se construiu um território — e como esse passado continua a fazer parte de nós.

