Poucas estradas no planeta conseguem parar o trânsito só pela paisagem. A N222, entre Peso da Régua e Pinhão, é uma delas. Com 93 curvas espalhadas por apenas 27 quilómetros, o troço já foi eleito uma das melhores estradas do mundo para conduzir – e não é exagero de guia turístico, é consenso entre quem já fez a viagem. Socalcos, rio, vinhas centenárias. Tudo isto a poucos metros do volante.
Quem parte do Porto rumo ao Douro percorre normalmente a A4 até Amarante e depois a A24 até à Régua, num trajeto de cerca de 75 a 90 minutos. A partir daí, o roteiro de carro pelo Vale do Douro ganha outro ritmo – mais lento, mais contemplativo, com paragens a cada curva.

A viagem começa quase sempre aqui, na “porta de entrada” do Douro Vinhateiro. O Museu do Douro conta a história vinícola da região em poucos metros quadrados, e a marina serve de ponto de partida para os cruzeiros que também sobem o rio. Não é a cidade mais fotogénica da rota – isso os locais admitem sem grande drama –, mas funciona como base perfeita antes de seguir para trechos mais espetaculares.
Antes de sair do Porto, vale a pena tratar da logística do carro com antecedência: fora dos eixos principais da região os transportes públicos são escassos, e ter viatura própria é praticamente obrigatório para chegar aos miradouros mais isolados. Quem ainda não tem carro reservado pode comparar opções de aluguer em Localrent.pt, que costuma ter boas condições para quem parte do Porto.
A poucos minutos da Régua, a estrada sobe até aos 640 metros de altitude e revela um dos ângulos mais fotografados de Portugal. O escritor Miguel Torga descreveu o local como um “excesso de natureza” – e quem lá está, geralmente concorda em silêncio. Vale reservar o final da tarde para esta paragem: a luz baixa favorece as fotografias e reduz o calor nos meses de verão.
Se há uma vila que resume o Douro, é esta. Cercada por vinhas em socalco e cortada pelo rio, Pinhão é também o ponto de partida para curtos passeios de barco pelo Douro – entre uma e duas horas costuma ser suficiente para a maioria dos visitantes. Algumas sugestões para aproveitar bem a paragem:
Quem prefere dividir a viagem em dois dias costuma escolher Lamego como base. A cidade tem centro histórico, boa oferta gastronómica e um dos cartões-postais mais conhecidos do Douro: os 686 degraus do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, ladeados por painéis de azulejo e jardins geométricos. Um guia especializado em turismo duriense costuma resumir bem a lógica da região: quem tem carro ganha liberdade para chegar a pontos que o comboio e o barco simplesmente não alcançam.
Depois de Pinhão, a estrada sobe entre vinhas até à charmosa Vale de Mendiz, antes de entrar na zona de Alijó – território do famoso Moscatel de Favaios. São paragens que a maioria dos turistas ignora, exatamente por não estarem nos roteiros mais divulgados. E é aí que reside a graça: menos gente, mais autenticidade, fotos sem ninguém a atravessar o enquadramento.
O Vale do Douro não se explora bem numa manhã apressada. A paisagem – reconhecida pela UNESCO como Património Mundial – pede tempo, paragens frequentes e disposição para desviar do itinerário original quando surge um miradouro inesperado. Um carro compacto costuma ser suficiente para as curvas da N222, mas quem viajar em dupla pode revezar a condução e aproveitar melhor as vistas.
Para quem vem do Porto, reservar pelo menos um dia inteiro – ou uma noite na região – faz toda a diferença. As estradas são estreitas em alguns troços, por isso vale a pena evitar fins de semana de verão, quando o trânsito turístico se intensifica. No fim, fica a sensação de que o Douro não é apenas uma região vinícola: é uma das viagens de carro mais bonitas que Portugal tem para oferecer.