A segunda fase do programa municipal Shuttle vai levar artistas e projetos desenvolvidos no Porto a alguns dos principais circuitos culturais internacionais, de Brooklyn à Cidade do México, passando por Londres, Paris, Florença e Irlanda.
Não é apenas uma lista de bolsas municipais. É um mapa que mostra até onde a criação artística produzida no Porto está prestes a chegar. Oito projetos selecionados na segunda fase do Shuttle 2026 vão circular por instituições, residências, festivais, exposições e encontros artísticos internacionais.
Os resultados foram divulgados a 28 de agosto pela Ágora – Cultura e Desporto do Porto, no âmbito da plataforma municipal PLÁKA.
Das 27 candidaturas avaliadas nesta fase, oito foram selecionadas, abrangendo artes visuais, artes performativas, música e som e diferentes formatos de investigação e criação artística.
Uma exposição em Florença, uma residência em Brooklyn, dança em Paris e criação sonora na Cidade do México
O Shuttle permite que trabalhos desenvolvidos a partir do Porto sejam apresentados, investigados ou aprofundados em contextos internacionais, criando relações entre artistas da cidade e instituições de diferentes países.
Os oito projetos que vão levar a criação do Porto para fora do país
Os projetos selecionados têm naturezas muito diferentes. Há residências de investigação, exposições, espetáculos, performances imersivas, projetos sonoros e participação em encontros internacionais.
Meaning Mining: Research on Systems of Production
A artista e investigadora radicada no Porto vai desenvolver o projeto na Residency Unlimited, em Brooklyn, Nova Iorque, entre setembro e novembro de 2026. A investigação cruza imagem, sistemas de produção e trabalho mineiro.
Sexo e Morte: entre estados libidinais e liminares
O díptico performativo imersivo reúne duas experiências individuais e cruza performance, instalação, realidade virtual e inteligência artificial para explorar desejo, intimidade, morte e ritual.
A circulação prevê apresentações em 2026 nos Estados Unidos e Países Baixos e expansão em 2027 para Geórgia, Reino Unido, Alemanha e Suécia.
Palestine. Here and There
A exposição, apresentada originalmente no Porto, continua o seu percurso internacional. O projeto reúne trabalhos de artistas palestinianos através de fotografia, vídeo, cinema documental e arquivo, abordando questões de identidade, deslocação, perda do território e memória.
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A criação de Inês Campos cruza dança, teatro visual, música e dispositivos de ilusão cénica numa viagem sobre narrativas interiores, memória e passagem do tempo.
A obra será adaptada e apresentada no Festival MARTO / Scène Nationale de Malakoff, na região de Paris, nos dias 11 e 12 de março de 2027.
Frattura
A exposição será apresentada no Espazio Marameo, em Florença, entre novembro e dezembro de 2026.
Escultura, fotografia e intervenção pictórica são utilizadas para pensar o corpo enquanto matéria instável e explorar tensões entre desejo, estética, normatividade e performatividade de género.
Serra Juntas Borda d'Água
A investigação artística será apresentada no espaço Materia Abierta, na Cidade do México.
O trabalho cruza escuta, território e desorientação contemporânea e estabelecerá um diálogo com práticas sonoras desenvolvidas nas cavernas pré-hispânicas Cuahyacac-Tecamponatitla.
O que Ouvimos
A artista realizará uma residência no Sirius Arts Centre, em Cobh, investigando ecologias do Atlântico Norte e as relações entre humanos e outras formas de vida.
O projeto parte da alga enquanto elemento de ligação entre Apúlia, em Portugal, e Cobh, recorrendo a imagem em movimento, fotografia, som, escuta e narrativa especulativa.
Chimeras Fest — Workshop Critical Costume 2026
Inês de Carvalho e Ana Vitorino levam a experiência de Arraial de Quimeras à conferência internacional Critical Costume 2026, no London College of Fashion da University of the Arts London.
O workshop parte de três décadas de arquivo do Visões Úteis e explora o figurino enquanto elemento artístico com poder, memória e agência próprios.
Brooklyn torna-se um dos pontos fortes desta internacionalização
Entre os projetos selecionados, a residência de Inês Leal é particularmente relevante pela instituição de destino.
A Residency Unlimited, em Brooklyn, recebe artistas internacionais para períodos de investigação e desenvolvimento profissional, procurando aproximá-los da comunidade artística de Nova Iorque.
Inês Leal estará na cidade entre setembro e novembro de 2026, dando continuidade à investigação Meaning Mining: Research on Systems of Production.
O Porto também vai estar representado em Londres
Em Londres, a presença portuense chega através do Visões Úteis, estrutura fundada no Porto em 1994 e atualmente residente em Campanhã.
Inês de Carvalho e Ana Vitorino foram convidadas a integrar a programação da conferência internacional Critical Costume 2026, que decorre em setembro no London College of Fashion.
O workshop deriva da criação Arraial de Quimeras, trabalho que revisitou cerca de três décadas de arquivo da companhia para explorar o papel do figurino, dos objetos e das materialidades na construção de personagens, memória e performance.
Paris recebe uma das criações performativas do Porto
A circulação internacional não termina em 2026. Um dos apoios selecionados prepara também uma apresentação importante para o ano seguinte.
Inês Campos apresentará f i o ^ no Festival MARTO, na Scène Nationale de Malakoff, na região de Paris, a 11 e 12 de março de 2027.
A criação trabalha uma linguagem híbrida entre dança, cinema, teatro visual, música e objetos, transformando memórias, pensamentos e diálogos internos em matéria cénica.
O que é o Shuttle?
O Shuttle é um programa municipal criado para promover internacionalmente a cultura produzida no Porto e apoiar a circulação do trabalho de artistas, autores e agentes culturais sediados na cidade.
Os apoios destinam-se a despesas associadas à internacionalização de projetos em áreas como artes visuais, artes performativas, música e som, literatura e pensamento crítico e cinema e imagem em movimento.
Orçamento total disponível para a edição do programa.
Valor mínimo das bolsas atribuídas aos projetos selecionados.
Montante máximo previsto para cada bolsa de apoio.
O objetivo não é financiar a criação local em si mesma, mas permitir que trabalhos já criados ou desenvolvidos por estruturas sediadas no Porto consigam entrar em circulação internacional.
Na prática, o apoio pode ajudar a suportar custos associados a deslocações, apresentações, residências, montagem, produção e outras necessidades diretamente relacionadas com a promoção internacional dos projetos.
Porque é que a internacionalização importa para a cultura da cidade?
Um espetáculo apresentado em Londres, uma residência em Nova Iorque ou uma exposição em Florença têm impacto para além da apresentação em si.
A circulação internacional permite aos artistas criar contactos com curadores, programadores, instituições, galerias, festivais e outros criadores, abrindo portas a futuras colaborações.
Significa também que trabalhos desenvolvidos no Porto passam a integrar discussões e circuitos artísticos de outros países.
É neste ponto que o Shuttle funciona simultaneamente como apoio individual aos artistas e como instrumento de projeção cultural internacional da própria cidade.
Há ainda uma última oportunidade para candidaturas em 2026
As candidaturas ao Shuttle continuam abertas até 28 de setembro
Esta segunda seleção não encerra a edição de 2026. O programa prevê três reuniões de avaliação e a terceira e última fase de candidaturas termina a 28 de setembro de 2026.
Isto significa que artistas, autores, agentes culturais e entidades elegíveis sediadas no Porto ainda podem apresentar projetos de internacionalização para análise na última ronda do ano.
Shuttle Porto 2026: informação essencial
Acompanhe a criação artística no Porto
Consulte exposições, instalações, performances e outros projetos culturais que pode descobrir atualmente na cidade.
Perguntas frequentes sobre o Shuttle
É um programa municipal de apoio à internacionalização de artistas, autores, agentes e projetos culturais criados ou desenvolvidos por estruturas sediadas no Porto.
Foram selecionados oito projetos entre 27 candidaturas avaliadas.
Entre os destinos desta seleção encontram-se Brooklyn, Londres, Paris, Florença, Cidade do México, Irlanda e outros circuitos internacionais.
O programa dispõe de um orçamento global de 100 mil euros e atribui bolsas entre 1.000 e 7.500 euros.
Sim. O projeto Meaning Mining será desenvolvido na Residency Unlimited, em Brooklyn, entre setembro e novembro de 2026.
A apresentação está prevista para 11 e 12 de março de 2027, no Festival MARTO / Scène Nationale de Malakoff.
Sim. A terceira e última fase permanece aberta até 28 de setembro de 2026.
Visto em conjunto, o resultado desta segunda fase desenha um mapa pouco habitual: trabalhos e artistas ligados ao Porto vão passar por Brooklyn, Londres, Paris, Florença, Cidade do México, Irlanda e outros pontos do circuito cultural internacional.
Mais do que exportar obras acabadas, o programa coloca artistas da cidade dentro de novas residências, instituições, festivais e redes profissionais — e é precisamente aí que a internacionalização pode continuar a produzir efeitos muito depois de cada viagem terminar.