A Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música leva Rossini, Donizetti, Massenet e Bizet para o centro da cidade numa noite ao ar livre com árias, duetos e algumas das páginas mais reconhecidas do repertório operático.
Durante algumas horas, a Avenida dos Aliados deixa de ser apenas o grande eixo monumental do centro do Porto e transforma-se numa sala de concertos sem teto.
Na noite de sábado, 5 de setembro, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música instala-se no coração da cidade para um concerto de ópera ao ar livre e com entrada gratuita.
Às 22h00, a formação dirigida por Diogo Costa percorre cinco universos operáticos muito diferentes: O Barbeiro de Sevilha, Don Pasquale, Werther, Os Pescadores de Pérolas e Carmen.
Não se trata da apresentação integral das óperas. O programa foi construído a partir de aberturas, árias e duetos, permitindo concentrar numa única noite alguns dos momentos mais reconhecíveis do repertório de Rossini, Donizetti, Massenet e Bizet.
O concerto integra a rentrée ao ar livre da Casa da Música, que em 2026 assume o nome “A Casa nos Aliados” e junta inclusão social, música sinfónica, ópera e percussão em três dias de programação gratuita no centro do Porto.
Uma noite de ópera sem precisar de entrar numa sala
A força deste concerto está também no cenário. A ópera, habitualmente associada a teatros, salas fechadas e rituais próprios, passa para uma das zonas mais movimentadas e reconhecíveis da cidade.
A Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música leva o repertório operático diretamente ao espaço público, sem bilhete pago e com a cidade como pano de fundo.
Para quem nunca assistiu a uma ópera, o formato pode funcionar como uma porta de entrada. Em vez de acompanhar uma única obra durante várias horas, o público escuta uma sequência de momentos escolhidos de diferentes títulos, compositores, personagens e tradições operáticas.
E para quem conhece o repertório, há vários momentos imediatamente reconhecíveis: da célebre ária de Rosina em O Barbeiro de Sevilha à Habanera de Carmen e à Canção do Toureiro.
De Rossini a Bizet: o programa completo da noite
A Casa da Música construiu o concerto como uma viagem por diferentes expressões da ópera do século XIX.
Abertura e “Una voce poco fa”, a célebre ária de Rosina.
Abertura, a ária de Norina “Quel guardo il cavaliere” e o duo de Norina e Malatesta “E il Dottor non si vede” – “Pronta io son”.
“Va! Laisse couler mes larmes”, ária de Charlotte.
“Me voilà seule dans la nuit”, a ária de Zurga e o duo de Leïla e Zurga “Je frémis, je chancelle…”.
Prelúdio, “L’amour est un oiseau rebelle”, “Près des remparts de Séville” e “Votre toast, je peux vous le rendre”, a conhecida Canção do Toureiro.
“Carmen” reserva alguns dos momentos mais reconhecíveis do concerto
A segunda parte do programa coloca Georges Bizet em grande evidência.
Depois de passagens por Os Pescadores de Pérolas, o concerto chega a Carmen, uma das óperas mais populares do repertório internacional.
O público poderá ouvir o Prelúdio, a famosa “L’amour est un oiseau rebelle”, o duo “Près des remparts de Séville” e a Canção do Toureiro, associada à personagem Escamillo.
São páginas que ultrapassaram há muito o universo estritamente operático e que permanecem reconhecíveis mesmo para muitos espectadores que nunca assistiram a uma produção integral de Carmen.
Três vozes juntam-se à Orquestra Sinfónica do Porto
As diferentes personagens ganham voz através de três jovens cantores com percurso internacional, acompanhados pela Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música.
A direção musical está entregue a Diogo Costa. O formato permite alternar momentos puramente orquestrais com árias solistas e duetos, mudando rapidamente de atmosfera e personagem ao longo da noite.
Mas os Aliados começam a ouvir música na noite anterior
O concerto de ópera é o ponto mais mediático, mas não acontece isoladamente. A programação que acompanha o regresso da Casa da Música à Avenida ocupa três dias consecutivos.
A Orquestra Som da Rua encontra vários coros amadores num grande concerto de cidadania e inclusão, reunindo perto de duas centenas de vozes. Entrada livre.
A Orquestra Sinfónica do Porto atravessa Rossini, Donizetti, Massenet e Bizet com três cantores e direção de Diogo Costa. Entrada livre.
Quatro personagens exploram a percussão através do corpo, cajóns, movimento, objetos inesperados, humor e interação com o público. Entrada livre.
Som da Rua abre os Aliados com perto de 200 vozes
Na sexta-feira, 4 de setembro, às 22h00, o centro da cidade recebe a Orquestra Som da Rua, um dos projetos mais marcantes do Serviço Educativo da Casa da Música.
O projeto trabalha com pessoas em situação de grande fragilidade e desenvolve a música como espaço de encontro, expressão, pertença e transformação. Na apresentação dos Aliados, a formação junta-se a vários coros amadores, aproximando-se das duas centenas de vozes em palco.
Participam, entre outros, a Liga para a Inclusão Social, Ar de Coro, Coro Busca Pólos, Coro Sénior da Fundação Manuel António da Mota, Coro de Santa Maria da Murtosa, Grupo Vocal Roda, Super Coro Valentim de Carvalho e Vox International Choir.
A direção e interpretação envolve Cláudio César Ribeiro, Daniel Sousa, Jorge Prendas, Paulo Coelho de Castro e Tiago Oliveira.
No domingo de manhã, a palavra dá lugar ao ritmo
A programação muda completamente de escala e linguagem na manhã de domingo, 6 de setembro.
Às 11h30, Tiki Taka na Avenida coloca quatro personagens em palco para uma viagem construída através de percussão, corpo, cajóns, movimento e objetos inesperados.
A proposta explora a ideia de que praticamente qualquer elemento pode tornar-se instrumento quando existe ritmo. O humor e a interação com a plateia fazem parte da experiência.
Tal como os dois concertos noturnos, a sessão tem entrada livre.
A rentrée ao ar livre passa a chamar-se “A Casa nos Aliados”
Há também uma mudança de identidade em 2026.
A iniciativa da Casa da Música que abre setembro no centro da cidade passa a apresentar-se como “A Casa nos Aliados”.
O conceito mantém a ligação entre a instituição e o grande espaço público da Avenida, mas alarga a programação para lá do concerto sinfónico tradicional.
Numa sequência de três dias, o público encontra um projeto de inclusão social, uma grande noite de ópera e uma proposta de percussão dirigida à descoberta e interação.
É uma rentrée que procura colocar diferentes formas de fazer música no mesmo espaço, sem cobrança de ingresso.
Concerto de Ópera nos Aliados: informações práticas
Perguntas frequentes
Realiza-se no sábado, 5 de setembro de 2026, com início às 22h00.
Sim. O concerto tem entrada livre.
Não. O programa reúne excertos de várias óperas, incluindo o Prelúdio, a Habanera, um duo e a Canção do Toureiro de “Carmen”.
O programa inclui também excertos de “O Barbeiro de Sevilha”, “Don Pasquale”, “Werther” e “Os Pescadores de Pérolas”.
Participam a soprano Héloïse Poulet, a meio-soprano Lotte Verstaen e o barítono Timothée Varon.
A direção musical está a cargo de Diogo Costa.
A Casa da Música indica a Linha D, com saída na estação Aliados.
Sim. A 4 de setembro realiza-se Som da Rua na Avenida, às 22h00, e a 6 de setembro acontece Tiki Taka na Avenida, às 11h30.
Porque vale a pena ir
Há algo particularmente eficaz na ideia de ouvir ópera nos Aliados.
O cenário é monumental, mas o ritual é simples: chegar ao centro da cidade, encontrar um lugar na Avenida e ouvir uma orquestra sinfónica sem precisar de comprar bilhete.
Para quem já conhece Carmen, O Barbeiro de Sevilha ou Werther, é uma oportunidade de reencontrar páginas familiares num contexto completamente diferente.
Para quem nunca entrou numa sala de ópera, pode ser precisamente o contrário: uma primeira aproximação ao género, sem barreiras e em pleno espaço público.
E talvez seja esse o verdadeiro interesse de “A Casa nos Aliados”: durante três dias, a música deixa o edifício da Boavista e encontra a cidade onde ela já está.
Na noite de 5 de setembro, esse encontro faz-se ao som de Rossini, Donizetti, Massenet e Bizet. E é gratuito.