
Festival Temporal estreia no Porto com artes do tempo, performance, som e imagem em movimento
TEMPORAL estreia-se no Porto e transforma o tempo em matéria artística
O novo festival ocupa o Mira Forum entre 9 e 12 de julho com performances, projeções, oficinas, artes sonoras e experiências que cruzam criação contemporânea e tecnologia. A entrada é livre.
O Porto recebe esta semana um novo festival dedicado à experimentação artística. Chama-se TEMPORAL, realiza-se entre 9 e 12 de julho de 2026 e propõe quatro dias de encontros entre cinema experimental, som, performance, artes plásticas e transformação criativa de dispositivos.
A primeira edição decorre no Mira Forum, na Rua de Miraflor, e tem entrada livre. Em vez de organizar a programação a partir de disciplinas rígidas, o festival procura aproximar trabalhos que partilham uma mesma preocupação: a forma como o tempo é vivido, observado e transformado através da arte.
Entre as artistas convidadas estão Puçanga, Elena Duque e Elisa Pône. O programa integra também propostas selecionadas através da primeira convocatória aberta promovida pela organização.
Um festival para interromper o ritmo habitual
O nome TEMPORAL não remete apenas para uma alteração meteorológica. A organização parte da ideia de um estado transitório, no qual as rotinas são interrompidas e as fronteiras entre aquilo que aconteceu, aquilo que está a acontecer e aquilo que ainda poderá acontecer se tornam menos nítidas.
Essa suspensão é transportada para o campo artístico. A repetição, a espera, a memória, os ciclos, as pausas e a passagem dos dias tornam-se elementos tão importantes como a imagem, o som ou o movimento.
A proposta pretende também contrariar a velocidade com que grande parte da programação cultural é habitualmente consumida. Em vez de uma sucessão rápida de acontecimentos, o festival convida o público a permanecer, observar os processos e acompanhar o encontro entre artistas, objetos e ideias.
Do cinema experimental ao hacking de dispositivos
Durante quatro dias, o Mira Forum recebe apresentações públicas, oficinas pedagógico-criativas e momentos de encontro. A programação cruza diferentes linguagens e permite que uma projeção possa transformar-se numa conversa, uma oficina termine numa apresentação ou um dispositivo tecnológico seja utilizado como instrumento artístico.
O programa inclui propostas ligadas a:
- Imagem em movimento
- Cinema experimental
- Concertos
- Performances
- Artes sonoras
- Experimentação plástica
- Oficinas e workshops
- Projeções e conversas
- Hacking de dispositivos
- Encontros entre artistas
A página oficial do programa já apresenta atividades distribuídas pelos quatro dias, incluindo a abertura do festival, a exposição e a projeção coletiva dos projetos selecionados na open call, performances, oficinas e experiências que combinam criação artística, conversa e partilha de alimentos.
TEMPORAL — Festival de Artes do Tempo
Puçanga, Elena Duque e Elisa Pône entre os destaques
A primeira edição conta com três artistas convidadas cujos percursos atravessam diferentes áreas da criação contemporânea.
Puçanga integra um programa marcado pela investigação sonora, pela presença do corpo e pela experimentação. O seu trabalho contribui para a dimensão performativa e multidisciplinar que o festival pretende afirmar desde a primeira edição.
A programação inclui igualmente Elena Duque e Elisa Pône, bem como os trabalhos escolhidos pelo júri da open call, composto por Juliana Julieta, João Pedro Amorim e Sofia Pires.
A seleção aberta permitiu alargar o festival a projetos emergentes e a práticas que nem sempre encontram espaço nos circuitos tradicionais de exposição, cinema ou música.
Oficinas que mostram como as obras são construídas
As oficinas e os workshops não surgem como uma atividade paralela. Fazem parte da própria identidade do TEMPORAL e da intenção de aproximar o público dos processos de investigação e criação.
Uma das atividades já anunciadas é a oficina de fermentação “Criaturas com vagar”. A programação inclui ainda exposições, projeções, performances e propostas que cruzam alimentação, conversa e experiência artística.
Em vez de apresentar apenas obras terminadas, o festival procura revelar hesitações, experiências, testes e transformações. O público poderá acompanhar a forma como uma ideia muda ao longo do tempo e como o contacto entre diferentes participantes pode alterar o resultado inicialmente previsto.
Um espaço comum para comunidades que raramente se cruzam
A ideia original do TEMPORAL pertence a Juliana Julieta. A direção de produção e programação é partilhada com Sofia Pires.
A criação do festival resulta da perceção de que muitos artistas trabalham questões semelhantes, mas continuam separados por categorias e circuitos disciplinares. Projetos ligados ao cinema experimental nem sempre se encontram com artistas sonoros, da mesma forma que a performance, as artes plásticas e a tecnologia são frequentemente apresentadas em contextos diferentes.
O TEMPORAL quer criar um território comum. Durante os quatro dias, artistas, estudantes, profissionais do setor cultural e público geral poderão partilhar o mesmo espaço, acompanhar trabalhos em desenvolvimento e iniciar novas conversas.
Entrada livre para descobrir novas linguagens
A entrada gratuita é um dos pontos centrais da primeira edição. O festival pretende ser acessível tanto a pessoas que já acompanham as artes contemporâneas como a quem tenha curiosidade em descobrir propostas menos convencionais.
Não é necessário conhecer previamente os projetos ou dominar os conceitos apresentados. A programação foi concebida como um convite à descoberta, à participação e à permanência no espaço.
Para o público do Porto, o festival representa também uma oportunidade de conhecer melhor o trabalho desenvolvido no Mira Forum, espaço cultural situado na zona oriental da cidade e ligado à fotografia, às artes visuais e à criação contemporânea.
Apoios, parceiros e identidade visual
A gestão do festival é assegurada pela Lápis Itinerante — Associação Cultural. A primeira edição conta com apoio à programação da República Portuguesa — Cultura, Juventude e Desporto, através da Direção-Geral das Artes.
Entre os parceiros encontram-se a Casa do Xisto, Foi Bonita a Festa, Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, Mono No Aware, Mago Print Studio, (S8) Mostra Internacional de Cinema Periférico e Mira Galerias.
A identidade gráfica, o design e o website são assinados pelo re-re-re studio, de Eva Gonçalves e Rita Mota.
Quatro dias para viver o tempo de outra forma
A estreia do TEMPORAL acrescenta ao calendário cultural do Porto uma proposta construída fora das divisões habituais entre música, cinema, performance e artes visuais.
De 9 a 12 de julho, o Mira Forum transforma-se num lugar de experimentação, escuta e encontro. Haverá obras para ver, sons para acompanhar, dispositivos para transformar e processos criativos nos quais o público poderá participar.
Mais do que preencher quatro dias com atividades, o festival propõe uma mudança de ritmo: parar, permanecer e prestar atenção à forma como o tempo se manifesta nas obras e nas relações entre as pessoas.
Publicado na Agenda Cultural do Porto.
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- 12 Jul 2026
- Desde
- 15:00 - 23:00
- MIRA FORUM
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