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Evas Exposição individual por Maria Durão

Evas | Exposição individual por Maria Durão

Evas toma como ponto de partida uma coleção de livros herdados por Maria Durão após a morte da sua avó materna. Maria rasga, cola e risca as capas desses livros transformando-as nos objetos de contemplação que vemos agora em exposição. Do anterior conteúdo literário sobram palavras soltas. Palavras que murmuram a experiência no feminino das três gerações que separam as depositárias da biblioteca. Experiências de resiliência que, ao longo da história, persistem como feridas abertas na sociedade contemporânea.

Entre substantivos comuns como ‘livro’, ‘lugar’ ou ‘fumo’, surge um nome próprio: Eva. O primeiro nome feminino na tradição judaico-cristã e também o símbolo do arquétipo inicial de submissão e rebelião. Segundo a Bíblia, apesar das advertências, Eva comeu o fruto da árvore do conhecimento e ofereceu-o a Adão, que a culpou pela sua falha para se proteger da ira de Deus, inaugurando assim uma posição sacrificial para todas as mulheres, que perdura até hoje.

Os livros e a maçã atuam, então, como símbolos de acesso ao conhecimento, à autonomia e à emancipação. Cada obra de Maria Durão é uma cápsula do tempo que carrega em si, simultaneamente, vestígios de um passado repleto de restrições e de um presente expectante. Ao intervir sobre os livros a artista não só preserva a memória desses artefactos, mas ressignifica-os num ato de rebelião subtil contra as normas que silenciaram tantas vozes.

Curadoria por Vera Carmo

[EN]

Evas takes as his starting point a collection of books inherited by Maria Durão after the death of her maternal grandmother. Maria rips, glues and scratches the covers of these books, transforming them into the objects of contemplation that we now see on display. From the previous literary content, loose words remain. Words that whisper the feminine experience of the three generations that separate the library’s custodians. Experiences of resilience that, throughout history, persist as open wounds in contemporary society.

Among common nouns such as ‘book’, ‘place’ or ‘smoke’, a proper name emerges: Eve. The first female name in the Judeo-Christian tradition and also the symbol of the initial archetype of submission and rebellion. According to the Bible, despite warnings, Eve ate the fruit of the tree of knowledge and offered it to Adam, who blamed her for his failure to protect himself from God’s wrath, thus inaugurating a sacrificial position for all women, which lasted until today.

Books and the apple act, then, as symbols of access to knowledge, autonomy and emancipation. Each work by Maria Durão is a time capsule that simultaneously carries traces of a past full of restrictions and an expectant present. By intervening on the books, the artist not only preserves the memory of these artefacts, but re-signifies them in an act of subtle rebellion against the norms that silenced so many voices.

Curated by Vera Carmo

Evas | Exposição individual por Maria Durão

Data

01 Mar 2024

Hora

17:00

Localização

KUBIKGALLERY
Rua da Restauração n 6 - Porto
Categorias
Credito habitacao
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