Arte contemporânea, fotografia, design, performances e concertos ocupam seis divisões de uma estrutura ainda por terminar nas Escadas dos Guindais. A CASA — ALAVANCA acontece de 28 a 30 de agosto e é gratuita.
Há uma casa nas Escadas dos Guindais que ainda não chegou verdadeiramente a ser casa. Durante apenas três dias, esse estado inacabado torna-se precisamente a matéria de uma experiência cultural que junta mais de 15 artistas e projetos, música, instalações, fotografia, escultura, design e performance no coração do Porto.
Chama-se CASA — ALAVANCA e começa hoje, 28 de agosto, prolongando-se por sábado e domingo, dias 29 e 30.
O espaço, localizado nos números 17-19 das Escadas dos Guindais, estará aberto diariamente entre as 17h00 e as 21h00. A entrada é gratuita e a exposição coletiva pode ser visitada durante toda a tarde e início da noite.
Das 17h00 às 21h00, uma “pré-casa” dos Guindais deixa de ser apenas arquitetura
Durante três tardes, artistas e público ocupam uma estrutura inacabada e transformam-na temporariamente num espaço expositivo, de encontro e criação. Todos os dias há exposição coletiva e dois momentos principais com horário anunciado.
Programa completo da CASA — ALAVANCA
A programação distribui-se pelas três tardes. A casa abre às 17h00 e encerra às 21h00, mantendo a exposição coletiva acessível durante todo o período.
Nota sobre os horários: a programação oficial apresenta horas específicas para Quarto Mundo, Leonardo Polita, Pedro Petiz, Guilherme Sota, Polyester: Lina + Louis e Vile Karimi. As performances de Frederica Vieira Campos e Vertigo estão confirmadas para os respetivos dias, mas sem hora individual anunciada.
Uma casa que ainda não chegou a ser casa
A proposta da ALAVANCA começa precisamente no estado do edifício.
Há uma estrutura física, paredes e divisões, mas ainda não existe verdadeiramente aquilo que normalmente associamos à ideia de habitar: presença continuada, relações, objetos pessoais, encontros e memórias.
Durante três dias, artistas e visitantes entram nesse intervalo. A estrutura deixa temporariamente de ser apenas uma construção e começa a acumular outras camadas através das obras, do som, das pessoas e das relações estabelecidas no espaço.
É esse estado intermédio que distingue a CASA de uma exposição instalada numa galeria tradicional.
As paredes, a erosão, as superfícies e as próprias divisões deixam de funcionar apenas como cenário. Tornam-se parte da leitura das obras apresentadas.
Mais de 15 artistas e projetos espalhados por seis divisões
Para além das atuações com horário definido, a CASA reúne uma exposição coletiva extensa, atravessando pintura, escultura, instalação, fotografia, imagem impressa, design e práticas sonoras.
Ana Cristina Leite
Trabalha entre pintura, escultura e instalação, reunindo superfícies lacadas, espelhos negros e fragmentos moldados do corpo.
Vertigo
Plataforma nómada situada entre arte e rave, cruzando festas, serigrafia ao vivo, cozinha coletiva e uma identidade gráfica muito marcada.
Manuel Tainha
A pintura trabalha camadas, superfícies terrosas, brancos velados e negros minerais, incorporando ideias de poeira, humidade, erosão e passagem do tempo.
Mathilde Albouy
Trabalha escultura em metal negro, utilizando a linha quase como desenho tridimensional no espaço.
Polyester
Editora sediada no Porto, ativa entre edição sonora e organização de eventos, colocando o som também como ferramenta de encontro.
Galeria Antítese — Objects of Desire
Seleção de mobiliário e iluminação colecionáveis das décadas de 1980, 1990 e 2000, olhando para o objeto doméstico como documento de uma época.
Frederica Vieira Campos
Harpista e performer radicada no Porto que combina harpa, eletrónica e movimento, retirando o instrumento clássico dos contextos mais convencionais.
Vile Karimi
Cruza desenho e imagem impressa com um vocabulário visual ligado ao corpo, coração, sangue, anjos, fotocópia e diário.
Paula Yubero
Fotógrafa entre Madrid e Porto, trabalhando retrato, pele, luz interior, corpo, intimidade e ambiente doméstico.
Contemplate
Projeto dedicado à serigrafia, edições impressas e fotografia, com particular atenção à relação entre arte e interior doméstico.
Leonardo Polita
Trabalha entre som e imagem em movimento, reunindo teclados, arquivo de vídeo e superfícies digitais degradadas.
Ricardo Sousa Nunes
Trabalha natureza-morta e retrato, compondo flores, vidro e tecidos com referências à tradição da pintura de género.
Pedro Ventura
Move-se entre instalação, objeto e escrita, utilizando também o próprio espaço expositivo como matéria do trabalho.
Filipe Fangueiro
Escultor e diretor criativo que utiliza frequentemente o vermelho enquanto matéria orgânica e cruza prática de estúdio, imagem editorial e encenação.
Ines Mena
Diretora de arte entre Paris e Porto, desenvolve também mobiliário em materiais como nogueira, alumínio e vidro.
Outros nomes presentes na exposição coletiva
O programa oficial identifica ainda vários participantes sem uma descrição individual publicada na página do projeto. Mantemos por isso apenas os nomes, sem acrescentar informação não confirmada.
Arte e vida doméstica encontram-se nos Guindais
Quando uma estrutura física começa a tornar-se um lugar
O projeto parte de duas formas de compreender uma casa: enquanto arquitetura e enquanto espaço afetivo.
A arquitetura cria paredes e divisões. Habitar introduz presença, memória e relações. A CASA ocupa deliberadamente o momento que existe entre esses dois estados.
Durante apenas três dias, o edifício passa a ser habitado por artistas, visitantes, som, objetos e imagens — antes de voltar a mudar novamente.
Uma proposta diferente para este fim de semana no Porto
A localização ajuda a tornar o projeto especialmente curioso. Os Guindais são um dos territórios mais particulares do centro histórico, numa encosta que liga a zona da Batalha e de São Bento à Ribeira e ao Douro.
Em vez de ocupar uma galeria estabelecida, a ALAVANCA utiliza precisamente uma estrutura que normalmente não faria parte do circuito cultural.
Quem entrar não vai encontrar apenas obras penduradas em paredes neutras. Vai encontrar trabalhos distribuídos por divisões de uma casa inacabada, dialogando com materiais, superfícies, proporções e marcas já existentes.
Para quem procura o que fazer este fim de semana no Porto , a CASA tem ainda uma vantagem importante: não é necessário comprar bilhete.
Entrada gratuita e exposição aberta durante as três tardes
Não é necessário escolher apenas um concerto para visitar a CASA. A exposição coletiva decorre durante todo o período de abertura, entre as 17h00 e as 21h00.
Isso permite chegar antes das atuações, percorrer as seis divisões e permanecer no espaço para acompanhar os diferentes momentos da programação.
Também pode consultar outras propostas de eventos gratuitos no Porto e a programação atual de exposições no Porto .
CASA — ALAVANCA: informação essencial
Programa oficial da CASA
O projeto disponibiliza online a programação e informação individual sobre vários dos artistas participantes.
Perguntas frequentes
Nos dias 28, 29 e 30 de agosto de 2026. O espaço abre diariamente das 17h00 às 21h00.
Nas Escadas dos Guindais, números 17-19, no Porto.
Não. A entrada anunciada pela organização é gratuita.
Sim. A exposição coletiva decorre durante todo o período de abertura, entre as 17h00 e as 21h00.
A programação de 28 de agosto apresenta Quarto Mundo às 17h30 e Leonardo Polita às 19h00. Frederica Vieira Campos tem igualmente uma performance anunciada para esse dia, mas sem horário individual publicado.
Pedro Petiz atua às 17h30 e Guilherme Sota apresenta um lançamento de álbum às 19h00. Vertigo participa ainda com exposição e performance.
O último dia recebe Polyester: Lina + Louis às 17h30 e Vile Karimi às 19h00, além da exposição coletiva.
A página oficial anuncia mais de 15 artistas e projetos distribuídos por seis divisões.
Talvez a parte mais interessante da CASA seja precisamente o facto de não tentar esconder que o edifício está inacabado. Pelo contrário: transforma esse estado numa condição para a exposição.
Durante três dias, o que ainda não chegou a ser uma casa torna-se galeria, sala de concertos, espaço de performance e lugar de encontro. Depois, a ocupação termina — e ficam as marcas, as imagens e as memórias de quem passou pelos Guindais.