O BOIL Climate Fest regressa ao Porto de 24 a 27 de setembro para cruzar arte, ciência, tecnologia, humor, música, cinema e participação coletiva num festival pensado para transformar a preocupação climática em ação.

Durante quatro dias, o Parque de Serralves vai transformar-se num laboratório cultural dedicado a uma das questões mais urgentes do nosso tempo: como responder à crise climática sem afastar as pessoas da conversa?
É esta a inquietação que está na origem do BOIL Climate Fest, que regressa ao Porto entre 24 e 27 de setembro de 2026 para a sua terceira edição.
A programação junta arte, ciência, tecnologia, humor, experiências sonoras, cinema, workshops, talks e instalações interativas num formato pensado para todas as idades.
O objetivo não é apenas explicar que o planeta está a aquecer. É procurar formas de transformar informação, preocupação e criatividade em participação.
E o próprio Parque de Serralves faz parte da experiência: a fauna, a flora, as árvores e a paisagem não funcionam apenas como cenário, mas como elementos vivos de um festival que procura intervir com o mínimo impacto possível no ecossistema que o recebe.
O BOIL não nasceu como um festival ambiental convencional.
É um conceito original desenvolvido pela Because Impacts e coproduzido com a Fundação de Serralves.
Na origem está uma pergunta direta: como falar de impacto climático com a urgência que o tema exige sem criar uma mensagem tão pesada que as pessoas acabem por abandonar a conversa?
Em vez de quatro dias dominados apenas por conferências técnicas, o BOIL coloca artistas, cientistas, criadores, humoristas e público dentro do mesmo espaço de experimentação.
A proposta procura descomplicar mensagens difíceis e criar condições para imaginar soluções concretas em comunidade.
A organização resume a filosofia com uma imagem simples: a Terra está a aquecer, mas ainda é possível “meter água na fervura”.
A estrutura do BOIL cruza áreas que habitualmente funcionam separadas.
O objetivo é evitar que a questão climática permaneça presa a uma única linguagem.
Um conceito científico pode transformar-se numa instalação. Uma conversa séria pode incluir humor. Uma experiência artística pode provocar uma discussão sobre recursos, território ou formas de consumo.
É precisamente nesta mistura que o festival procura encontrar uma relação diferente com o público.
A terceira edição convida o público a prestar atenção àquilo que partilhamos: recursos, territórios, paisagens, relações, espaço público e condições ambientais que não pertencem exclusivamente a uma única pessoa.
É uma ideia particularmente adequada à crise climática.
O ar é comum. A água é comum. A biodiversidade não reconhece limites administrativos. Uma onda de calor também não escolhe a fronteira de uma propriedade.
O BOIL procura, por isso, apresentar a transição ecológica não apenas como uma questão de tecnologia.
É também uma transformação na maneira como nos relacionamos com os lugares, com os recursos e com aquilo que partilhamos.
A programação completa, com todos os horários e localizações, ainda está a ser desenvolvida. Mas já há informação suficiente para perceber a dimensão da edição de 2026.
Experiências de som convidam o público a escutar o Parque e a perceber a paisagem como um sistema vivo.
Conceitos científicos complexos são transformados em experiências visuais, físicas e participativas.
Algumas propostas aproximam o público de diferentes materiais, texturas e processos, ligando reflexão ambiental e experiência física.
O público será convidado a participar num processo de criação conjunta, transformando ideias e experiências num objeto editorial coletivo.
Conversas improváveis juntam conhecimento científico e humor para tornar questões climáticas complexas mais próximas.
Curtas-metragens dedicadas aos desafios ambientais acrescentam histórias, territórios e experiências humanas à discussão climática.
Ambientes imersivos convidam o visitante a desacelerar e pensar sobre a relação entre humanidade, natureza e território.
A programação inclui abordagens que questionam a fronteira entre o natural, o artificial e aquilo que resulta da intervenção humana.
Está também prevista uma interação com um representante da ONU, introduzindo uma dimensão internacional na discussão.
O festival indica a presença de cerca de sete artistas e projetos. Neste momento, a apresentação principal já destaca vários nomes ligados a diferentes áreas da criação e investigação.
Artista e investigadora ligada à escuta, paisagem sonora e ecologia acústica.
O seu trabalho cruza escultura, ecologia, alimentação, território e práticas coletivas.
Desenvolve trabalho ligado à paisagem, matéria, território e transformação ambiental.
A instituição brasileira reforça a dimensão internacional e a ligação entre ciência, sociedade e futuros possíveis.
O estúdio portuense traz para o festival a reflexão sobre cidade, território e espaço partilhado.
A pianista e criadora reforça a dimensão sonora da programação e a relação entre música, escuta e paisagem.
À medida que o programa for sendo fechado, poderão ser acrescentados novos detalhes e participantes.
Há uma contradição que qualquer festival dedicado à sustentabilidade precisa de enfrentar.
Como organizar um evento sobre ambiente sem aumentar desnecessariamente o impacto sobre o lugar que o recebe?
A fauna e a flora do Parque não são tratadas como simples decoração. A programação procura ouvir, observar e respeitar o ecossistema, reduzindo o impacto das intervenções.
A curadoria de Patrícia Craveiro Lopes descreve o BOIL como um “organismo cultural vivo”.
A expressão ajuda a compreender a proposta.
As obras, os visitantes, a vegetação, os animais, os sons e os espaços de Serralves fazem parte do mesmo sistema.
O festival não quer apenas acontecer no Parque. Quer acontecer com o Parque.
Outro ponto importante da terceira edição é a intenção declarada de não excluir nenhuma voz.
A programação é apresentada como adequada a todas as idades.
Isso significa que a discussão climática não fica fechada entre especialistas, investigadores ou ativistas.
As oficinas, instalações, experiências com materiais, cinema e propostas participativas abrem várias portas para crianças, jovens e famílias.
Num lugar como Serralves, há ainda uma vantagem evidente: é possível falar de biodiversidade enquanto se está rodeado por ela.
Os dois últimos dias do BOIL coincidem com um dos grandes eventos familiares do calendário de Serralves.
A Festa do Outono acontece nos dias 26 e 27 de setembro, entre as 10h00 e as 19h00, com entrada gratuita.
A edição de 2026 volta a ocupar especialmente a zona da Quinta, cruzando contemporaneidade, tradições rurais, biodiversidade, arte, ciência e saber-fazer.
Oficinas, percursos, música, teatro, atividades participativas, biodiversidade e propostas ligadas ao BOIL espalham-se pelo Parque.
O último dia do BOIL volta a encontrar-se com a Festa do Outono, num domingo pensado para famílias e públicos de várias gerações.
A Festa do Outono volta também a associar-se à causa climática.
Nesse contexto, as instalações do BOIL cruzam arte e ciência para apresentar novas formas de compreender as alterações climáticas e incentivar uma cidadania mais participativa.
Ver agenda de SerralvesA gratuitidade está confirmada para a Festa do Outono, nos dias 26 e 27 de setembro.
Para os dias 24 e 25 de setembro, o BOIL já disponibiliza acesso através da bilheteira, mas a informação pública consultada não permite indicar com segurança um preço final ou assumir que todas as atividades têm as mesmas condições de acesso.
Assim que forem divulgadas as condições definitivas de bilheteira para a edição de 2026, este artigo poderá ser atualizado.
O festival poderia acontecer num auditório ou centro de congressos.
Mas perderia parte essencial da sua lógica.
Em Serralves, a reflexão ambiental acontece dentro de um território onde arte, arquitetura, paisagem e biodiversidade já convivem diariamente.
Uma experiência sonora pode utilizar o som do próprio Parque.
Uma conversa sobre biodiversidade pode acontecer rodeada por espécies vivas.
Uma instalação sobre recursos e relações ecológicas não precisa de existir apenas em abstrato.
É esta proximidade entre ideia e experiência que ajuda a distinguir o BOIL de uma conferência tradicional sobre sustentabilidade.
À primeira vista, pode parecer uma combinação estranha.
Mas o humor faz parte da própria estratégia do BOIL.
A crise climática é um tema suficientemente grave para gerar medo, ansiedade e sensação de impotência.
O risco é que uma comunicação feita apenas de catástrofe produza o efeito contrário ao desejado.
Em vez de incentivar à participação, pode gerar afastamento.
Ao juntar cientistas e humoristas, o festival procura criar uma linguagem que mantenha a seriedade dos dados sem perder a capacidade de comunicar.
Não se trata de desvalorizar o problema. Trata-se de encontrar formas diferentes de continuar a falar sobre ele.
Algumas das propostas mais interessantes da programação partem precisamente da tradução.
Como transformar um conceito científico complexo numa experiência que possa ser percebida sem precisar de uma formação técnica?
Uma instalação interativa pode permitir ver relações que num relatório apareceriam apenas como números.
Uma experiência sonora pode tornar audível algo que normalmente passa despercebido.
Uma obra construída com materiais específicos pode chamar a atenção para a origem, transformação e destino desses recursos.
É neste território entre conhecimento e experiência que o BOIL procura operar.
A terceira edição prevê ainda uma interação com um representante das Nações Unidas.
O nome e o formato detalhado dessa participação ainda não foram apresentados na informação disponível.
Por isso, o mais importante neste momento é perceber a dimensão que esta presença acrescenta.
A crise climática é simultaneamente local e global.
Pode ser sentida num parque, numa rua ou numa cidade, mas exige também cooperação entre países, instituições e comunidades.
Quem visitar Serralves durante o BOIL encontra ainda outro grande projeto a decorrer no Parque.
O Serralves em Luz 2026 prolonga-se até novembro e transforma a paisagem noturna através de instalações luminosas, arte e tecnologia.
São projetos independentes, mas que podem tornar uma visita a Serralves em setembro particularmente rica.
Descobrir Serralves em Luz 2026Já estão anunciados os principais formatos e vários participantes, mas os horários, a distribuição completa pelos quatro dias e algumas atividades ainda podem ser atualizados.
A terceira edição decorre de 24 a 27 de setembro de 2026.
No Parque de Serralves, no Porto.
É um festival de mobilização para a ação climática que cruza arte, ciência, tecnologia, humor e participação.
O conceito original foi desenvolvido pela Because Impacts e é coproduzido com a Fundação de Serralves.
Percursos sonoros, instalações interativas, workshops de arte, talks, fanzine coletiva, cinema climático, experiências imersivas, interação com materiais e outras propostas participativas.
Entre os nomes apresentados estão Cláudia Martinho, Inês Coelho da Silva, Renato Cruz Santos, Museu do Amanhã, oitoo e Joana Gama.
Sim. A programação é apresentada como dirigida a todas as idades.
Sim. A Festa do Outono acontece nos dias 26 e 27 de setembro e tem entrada gratuita.
A gratuitidade está confirmada para a Festa do Outono. As condições específicas de acesso ao restante programa devem ser verificadas na bilheteira à medida que o programa for atualizado.
Sim. Está anunciado um miniciclo de curtas-metragens dedicadas ao clima.
Está prevista uma interação com um representante da ONU, embora o formato detalhado ainda não tenha sido apresentado.
Falar da crise climática não é difícil por falta de informação.
O desafio está, muitas vezes, em transformar essa informação em atenção, envolvimento e ação.
É exatamente aí que o BOIL procura encontrar o seu espaço.
Um conceito científico pode transformar-se numa instalação.
Uma árvore pode transformar-se num lugar de escuta.
Uma conversa sobre clima pode juntar um cientista e um humorista.
Uma discussão internacional pode coexistir com uma oficina para uma família.
E um Parque pode deixar de funcionar apenas como cenário para se tornar parte ativa da própria experiência.
Durante quatro dias, Serralves não recebe apenas um festival sobre alterações climáticas. Transforma-se num lugar onde arte, ciência, tecnologia, humor, natureza e participação procuram responder à mesma pergunta: como cuidar melhor daquilo que partilhamos?